Aula 02 — Conceitos-Chave e Fluxo de Trabalho AIOX
Módulo: Professional Bootcamp
Aula: 2 / 18
Módulo 1 · Fundamentos AIOX Duração: 2-3 horas Agentes praticados: Todos (exploração conceitual com exercícios de fixação) Projeto: Nenhum — esta aula constrói o modelo mental que sustenta tudo
🏆 Vitória desta aula
Ao final, você terá um entendimento claro e completo de como o AIOX funciona — não apenas quais botões apertar, mas por que o pipeline é desenhado assim, como os documentos carregam contexto entre agentes, e o que diferencia essa abordagem de simplesmente "pedir para a IA codificar".
Critério binário: Conseguir explicar em suas palavras o fluxo completo do AIOX (do briefing ao deploy) e saber qual agente usar em cada situação.
Conceito
Por que "Agentic Agile Development" e não apenas "Vibe Coding"
Existem hoje duas abordagens dominantes para desenvolvimento com IA:
Abordagem 1 — Vibe Coding (prompt → código): Você abre o ChatGPT, Claude ou Cursor e diz "crie um app de quiz". A IA gera código. Funciona para coisas pequenas. Mas em projetos reais, os problemas aparecem rápido: o código não é consistente entre sessões, decisões arquiteturais mudam sem motivo, ninguém sabe por que algo foi feito de um jeito e não de outro, testes não existem, e cada vez que o contexto da conversa reseta, informação se perde.
Abordagem 2 — Agentic Agile (planejar → especificar → implementar → validar): O AIOX propõe uma abordagem estruturada onde antes de codificar, você planeja com agentes especializados. O resultado do planejamento (documentos de PRD, arquitetura, stories) se torna o contexto do desenvolvimento. A IA não inventa do nada — ela implementa a partir de especificações detalhadas que ela mesma ajudou a criar.
A diferença não é filosófica — é prática. No vibe coding, a qualidade depende da sorte da sessão. No Agentic Agile, a qualidade é estrutural — está embedded nos documentos e nos processos, não na memória volátil de uma conversa.
O fluxo de trabalho em duas fases
O AIOX opera em duas fases distintas:
Fase 1 — Planejamento (qualquer interface: web, Claude.ai, CLI)
Nesta fase, agentes de planejamento colaboram com você para produzir documentos de especificação. O foco é na qualidade das decisões, não na velocidade de execução.
@analyst (pesquisa) → @pm (requisitos) → @architect (design) → @ux-expert (UX)
↓ ↓ ↓ ↓
Project Brief PRD (requisitos) Architecture Doc UX Spec
Risk Matrix API Contract
DB Schema
Cada agente lê os documentos produzidos pelos anteriores e os usa como insumo para produzir o seu. O Analyst cria o briefing, o PM lê o briefing e cria o PRD, o Architect lê o PRD e cria a arquitetura. Contexto nunca se perde porque está em arquivos — não na memória de uma conversa.
Human-in-the-loop: Em cada etapa, o agente faz perguntas, você responde, ele refina. Não é "gere o documento" em um comando — é uma conversa iterativa onde você valida cada decisão.
Fase 2 — Desenvolvimento (IDE: Claude Code, Codex, Gemini)
Nesta fase, agentes de desenvolvimento transformam as especificações em código funcional. O foco é na implementação precisa e qualidade do código.
@sm cria stories → @dev implementa → @qa valida
↓ ↓ ↓
docs/stories/ src/ (código) Review report
STORY-01..N.md tests/ Fix requests
O ponto crítico aqui é a transição entre fases: os documentos de planejamento (PRD, Architecture Doc) são o input do Scrum Master, que os transforma em stories hiperdetalhadas. Essas stories são o input do Dev, que implementa exatamente o que está especificado. O QA valida contra os acceptance criteria que estão na story.
Em nenhum momento alguém precisa "lembrar" o que foi decidido — está tudo nos documentos.
Documentos como veículos de contexto
Este é o conceito mais importante do AIOX e o que o diferencia de qualquer outra abordagem.
Em uma conversa normal com uma IA, o contexto existe apenas na janela de conversa. Quando a conversa acaba (ou o contexto enche), tudo se perde. O agente da próxima sessão não sabe o que foi decidido na sessão anterior.
No AIOX, o contexto vive em arquivos no seu repositório:
docs/
├── project-brief.md ← O que estamos construindo e por quê
├── prd.md ← Requisitos detalhados com critérios testáveis
├── architecture.md ← Como construir (stack, schema, endpoints, padrões)
├── ux-spec.md ← Como deve parecer e se comportar
├── risk-matrix.md ← O que pode dar errado e como mitigar
└── stories/
├── STORY-01.md ← Tarefa específica com tudo que o Dev precisa
├── STORY-02.md
└── ...
Quando o Dev abre STORY-03.md, ele encontra:
- Acceptance Criteria em formato Given/When/Then (o quê entregar)
- Implementation Details com pseudo-código (como construir)
- Architecture Notes referenciando decisões do Architect (por quê assim)
- Checkboxes para rastrear progresso
- File List dos arquivos que serão criados/modificados
O Dev não precisa adivinhar nada. O QA não precisa interpretar nada. O contexto completo está no arquivo.
Analogia: Se o vibe coding é uma conversa telefônica (informação volátil, se não anotou perdeu), o AIOX é um escritório com pastas de projeto (tudo documentado, acessível, rastreável).
Os 11 agentes: quem faz o quê e quando
Cada agente tem um papel exclusivo e bem definido. Não existe sobreposição — se um comando pertence a um agente, nenhum outro agente tem esse comando.
Agentes de Planejamento (Fase 1)
| Agente | Persona | Quando usar | O que produz |
|---|---|---|---|
| @analyst | Ana | Início do projeto — pesquisar o domínio | Brief, competitive analysis, domain map |
| @pm | Pete | Após o brief — definir requisitos | PRD com FRs, NFRs, risk matrix, specs |
| @architect | Aria | Após o PRD — projetar a solução | Architecture doc, schema, API contract |
| @ux-expert | Uma | Junto com architect — definir UX | UX spec, wireframes, design system |
Fluxo natural: analyst → pm → architect + ux-expert (em paralelo ou sequência)
Agentes de Desenvolvimento (Fase 2)
| Agente | Persona | Quando usar | O que produz |
|---|---|---|---|
| @sm | Sam | Após planejamento — criar stories | Stories hiperdetalhadas em docs/stories/ |
| @po | Pia | Junto com SM — priorizar | Backlog priorizado |
| @dev | Dex | Após stories — implementar | Código em src/, testes em tests/ |
| @qa | Quinn | Após implementação — validar | Review reports, fix requests |
Fluxo natural: sm → dev → qa → dev (correções) → qa (verificação)
Agentes de Infraestrutura e Orquestração
| Agente | Persona | Quando usar | O que produz |
|---|---|---|---|
| @devops | Dex-Ops | Infra e deploy — containers, CI/CD | Dockerfiles, compose, workflows CI/CD |
| @aiox-master | Pax | Coordenação geral — visão macro | Orquestração de workflows |
| @aiox-orchestrator | Orion | Automação — executar fluxos | Execução de pipelines entre agentes |
Quando usar: @devops entra na fase de infraestrutura (antes ou durante desenvolvimento). @aiox-master e @aiox-orchestrator são usados para coordenar workflows complexos ou ativar squads.
O ciclo de feedback: QA → Dev → QA
O AIOX implementa um ciclo formal de feedback entre QA e Dev que é central para a qualidade:
@dev implementa story
↓
@qa *review-build STORY-XX
↓
QA encontra issues?
├── Sim → @qa *request-fix (com detalhes)
│ ↓
│ @dev *apply-qa-fix (corrige)
│ ↓
│ @qa *verify-fix (verifica)
│ ↓
│ Resolvido? → Sim: ✅ Aprovado
│ → Não: volta para *request-fix
│
└── Não → ✅ Story aprovada
Este ciclo garante que problemas são encontrados e corrigidos antes de ir para produção. O QA não é opcional — é parte estrutural do processo.
O ADE (Autonomous Development Engine) — visão geral
O ADE é o sistema que automatiza partes do ciclo de desenvolvimento. Ele tem 7 Epics (subsistemas) que se complementam:
| Epic | Nome | O que faz |
|---|---|---|
| 1 | Worktree Manager | Isola cada feature em branch/diretório separado |
| 2 | Migration | Migra agentes entre versões do framework |
| 3 | Spec Pipeline | Transforma requisitos vagos em specs executáveis |
| 4 | Execution Engine | Executa specs em 13 steps com self-critique |
| 5 | Recovery System | Recupera automaticamente quando implementação falha |
| 6 | QA Evolution | Review em 10 fases estruturadas |
| 7 | Memory Layer | Persiste padrões e insights entre sessões |
No Bootcamp, vamos usar o ADE como ferramenta — ativar seus comandos nas situações certas. No Mastery, vamos mergulhar nos internals de cada Epic e entender como funcionam por dentro.
Contexto
Na próxima aula (Aula 03), vamos aplicar tudo isso ao RockQuiz — o primeiro projeto real. Você vai ativar o @analyst pela primeira vez em um contexto real, fazer perguntas sobre o domínio de quiz de rock, e produzir o primeiro documento do pipeline (Project Brief).
Tudo que você aprendeu aqui — fluxo em 2 fases, documentos como veículos de contexto, qual agente usar quando — vai ser exercitado na prática.
Prática
Exercício 1 — Mapear o fluxo em seus projetos
Antes de mergulhar no RockQuiz, pense nos seus projetos reais. Para cada um, identifique em qual fase do AIOX ele está:
Projeto: AuctionHunter
Estado atual: Tem código anterior que não funcionou
Fase AIOX: Brownfield — precisa de @architect *map-codebase antes de tudo
Primeiro agente a ativar: @analyst (entender por que falhou antes)
Projeto: LinkedIn Automation
Estado atual: Protótipo no Google AI Studio
Fase AIOX: Brownfield — precisa migrar para arquitetura independente
Primeiro agente a ativar: @architect (mapear o que existe)
Projeto: Plataforma Zabbix Learning
Estado atual: Ideia na cabeça, zero código
Fase AIOX: Greenfield total — começa com @analyst
Primeiro agente a ativar: @analyst (pesquisa de domínio profunda)
Projeto: RockQuiz
Estado atual: Ideia definida, zero código
Fase AIOX: Greenfield — começa com @analyst
Primeiro agente a ativar: @analyst (brief + domain map)
Faça este mapeamento mental agora. Não precisa escrever um documento formal — apenas visualize qual agente seria o primeiro a ativar em cada projeto e por quê.
Exercício 2 — Simular o pipeline com um agente
Vamos fazer um exercício rápido de simulação. Ative o @analyst e peça uma análise exploratória de um dos seus projetos — não para produzir o documento final, mas para sentir como é o human-in-the-loop:
cd ~/aiox-bootcamp/rockquiz
claude
@analyst
Ana, quero te dar uma visão geral de um projeto que vou desenvolver
nas próximas aulas. É um quiz interativo sobre conhecimentos de rock.
O jogador responde perguntas, acumula pontos e compete em ranking.
Antes de criar qualquer documento, me faça 5 perguntas que você
considera essenciais para entender bem o projeto.
Observe o que acontece:
- O Analyst faz perguntas relevantes e específicas (não genéricas)
- As perguntas são sobre o domínio (rock, quiz), não sobre tecnologia
- Cada resposta sua vai influenciar o que o Analyst produz depois
Responda as 5 perguntas com o que sabe. Não precisa ser perfeito — o objetivo é sentir o processo, não produzir output final.
Depois de responder:
Ana, obrigado. Não precisa gerar nenhum documento agora — vamos
fazer isso formalmente na próxima aula. Era só para aquecer.
*exit
🏆 Checkpoint: Você experimentou o human-in-the-loop com o @analyst.
Exercício 3 — Comparar agentes
Ative dois agentes diferentes e peça a mesma coisa para ambos. Observe como cada um responde de forma diferente baseado no seu papel:
@dev
Dex, o que você precisa para implementar um sistema de quiz com ranking?
*exit
@architect
Aria, o que você precisa para projetar um sistema de quiz com ranking?
*exit
O Dev vai falar sobre código, bibliotecas, implementação. O Architect vai falar sobre componentes, comunicação entre serviços, padrões, trade-offs. Mesma pergunta, perspectivas completamente diferentes — é isso que torna o sistema de agentes especializados poderoso.
🏆 Checkpoint: Você viu como agentes diferentes interpretam o mesmo problema.
Exercício 4 — Validação e verificação de integridade
Rode os comandos de validação disponíveis para garantir que sua instalação está íntegra:
# Verificar saúde geral
npx aiox-core doctor
# Verificar estrutura de diretórios
ls .aiox-core/development/agents/ | wc -l
# Esperado: 11 arquivos (1 por agente)
# Verificar que os templates existem
ls .aiox-core/product/templates/
# Verificar que os checklists existem
ls .aiox-core/product/checklists/
# Se disponível, validar integração da IDE
npm run validate:claude-sync 2>/dev/null || echo "Comando não disponível"
🏆 Checkpoint 4: Validação de integridade executada.
Reflexão
O que você construiu nesta aula
Não código — algo mais valioso: um modelo mental de como o AIOX funciona. Você agora sabe:
- Que o AIOX opera em 2 fases (planejamento → desenvolvimento) conectadas por documentos
- Que cada agente tem papel exclusivo com comandos únicos
- Que o contexto vive em arquivos (
docs/) e não em memória de conversa - Que o QA tem ciclo formal de feedback com o Dev
- Que o ADE automatiza partes do processo com 7 subsistemas
- Qual agente ativar primeiro dependendo do estado do projeto (greenfield vs brownfield)
O conceito-chave desta aula
No AIOX, documentos são mais importantes que código. O código é consequência de bons documentos — nunca o contrário.
Se o briefing for ruim, o PRD será ruim. Se o PRD for ruim, a arquitetura será ruim. Se a arquitetura for ruim, as stories serão ruins. Se as stories forem ruins, o código será ruim. A qualidade flui de cima para baixo. É por isso que investir tempo no planejamento (Fase 1) é o melhor investimento que você pode fazer.
Conexão com a próxima aula
Na Aula 03, o aprendizado conceitual encontra a prática real. Vamos iniciar o RockQuiz ativando o @analyst para pesquisa profunda e o @pm para criar o PRD. Pela primeira vez, você vai produzir documentos de especificação reais que vão guiar o desenvolvimento nas aulas seguintes.
A partir de agora, cada aula produz output real — documentos, código, testes, infraestrutura. O período conceitual acabou.
Exercício extra (opcional)
Se quiser ir mais fundo antes da Aula 03:
Leia o guia oficial do AIOX:
docs/guides/user-guide.mdno repositório (se disponível no seu projeto).Explore os
docs/GUIDING-PRINCIPLES.md— são os princípios que vamos seguir durante todo o curso.Pense no seu projeto mais complexo (Plataforma Zabbix Learning) e liste mentalmente: quais seriam os 5 maiores riscos técnicos? Qual agente do AIOX ajudaria a identificar cada risco? (Dica: @analyst para riscos de domínio, @architect para riscos técnicos, @pm para riscos de escopo.)
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Pratique o que você aprendeu
Implemente os conceitos desta aula em seus próprios projetos. Consulte a página de projetos para desafios práticos e exemplos de código.